Paraíba Hi-Tech

13/11/2004 17:26
Hoje eu vou por em dia a promessa que fiz há uma semana.

Filme de Hoje

Igual a Tudo na Vida (Anything Else, 2003)

Direção e Roteiro: Woody Allen

Elenco: Woody Allen, Jason Biggs, Christina Ricci, Danny DeVito, Kadee Strickland, Jimmy Fallon, Diana Krall, William Hill, Stockard Channing.

Poster:



Sinopse: Jarry Falk (Biggs) é um jovem comediante novaiorquino judeu que sonha em ascender em sua carreira como escritor. Ele é apaixonado pela bela Amanda (Ricci), uma jovem atriz problemática e imprevisível. A vida de Falk anda sem muito sal, até que ele conhece David Dobel (Allen), um veterano escritor que passa a aconselhá-lo profissionalmente. A amizade deles cresce e Dobel acaba se transformando numa espécie de mentor de Falk, orientando-lhe também em assuntos pessoais.

Comentários: Lição que aprendi hoje: sempre que for escrever algo que contenha mais de 3 linhas, usar o word depois copiar pro navegador.

Ok, perdi toda a minha resena sobre esse filme e me recuso a escrever novamente, até porque não conseguirei repetir tudo o que tinha escrito antes a contento.

Enfim, o filme é muito bom pois o Allen faz diversas citações a ele mesmo. As interpretações da Ricci e do Biggs estão ótimas e o velho estilo de humor do Woody Allen está, como sempre presente.

Imagens:









Cotação:

PS: Como forma de me redimir pelo erros grosseiros que comentei acima, nada melhor do que a beleza pouco convencional de Cristina Ricci. Enjoy it!







E pensar que ela era essa coisinha feia da Família Adams...



Quem disse que o tempo faz mal às pessoas?

enviada por Paraíba Hi-Tech



10/11/2004 01:17
Eu ia postar sobre o filme do Woody Allen hoje, mas depois que eu vi O Outro Lado do Domingo e encontrei minha prima Didica no MSN hoje, tudo mudou!

Paixão do Momento

O filme foi indicação do Eric, portanto nem preciso dizer que é muito bom. Produzido em 1996, O Outro Lado do Domingo foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A história se passa na década de 50, no interior da Noruega. A filha do pastor local, Maria, é uma menina de 16 anos cheia de vitalidade e questionamentos. Ela trava uma luta contra a sociedade e os costumes da época, sobretudo no que diz respeito a religião.

A beleza de Maria é algo que não dá pra deixar de ser notado. E logo no primeiro close de seu rosto eu pensei: "Ela me lembra alguém..." Alguns takes depois, eu descobri com quem ela parecia: minha prima, Didica!

À noite, eu mostrei algumas fotos de Marie Theisen, a versão norueguesa da minha prima, à Didica, mas ela não concordou comigo quanto à semelhança. Nada melhor do que análise comparativa pra acabar com essas dúvidas, certo?

Então, apresento a vocês minha prima Didica (à esquerda) e sua sósia Marie Theisen (à direita).



E vejam como o formato dos olhos são parecidos:



A diferença é que a norueguesa tem olhos verdes, enquanto a brasileira tem olhos castanhos!

É ou não é fácil de se apaixonar por uma delas?

enviada por Paraíba Hi-Tech



08/11/2004 00:50
Quase dois meses sem atualizar o blog... Isso é uma vergonha!
Eu costumo dizer que atualizo sempre que vejo um filme digno de comentário. Nesse tempo todo de abstinência, eu vi muitos filmes que mereciam um post, como Matadores de Velhinhas, Kill Bill Vol. 2 ou O Declínio do Império Americano. Por um motivo ou por outro, eu acabei deixando que eles passassem em branco. Esses motivos não vêm ao caso agora, afinal de contas eu não uso isso aqui como psicólogo!

O fato é que hoje foi um dia atípico. Eu não vi apenas um filme digno de comentários, mas dois! O primeiro deles vou apresentar pra vocês agora:

Filme de Hoje

Frida (Idem, 2002)

Direção: Julie Taymor

Elenco: Salma Hayek, Alfred Molina, Geoffrey Rush, Ashley Judd, Antonio Banderas, Edward Norton, Valeria Golino, Mía Maestro, Roger Rees.

Poster:



Sinopse: O filme narra a história de Frida Kahlo, uma das maiores pintoras mexicanas de todos os tempos. Sua vida foi marcada por inúmeros acontecimentos trágicos e por um casamento pouco convencional.

Comentários: Sempre que demoro muito pra assistir a um filme como Frida me bate um grande arrependimento. Eu sempre me lembro que poderia ter alugado quando era lançamento ou que poderia ter ido ao cinema logo na estréia! Teria valido a pena.

Eu não sou crítico de arte, portanto não vou me arriscar a analisar muito a fundo a obra de Frida Kahlo. O que comento aqui é baseado no que vi no filme, uma bela biografia, e no que li sobre a artista mexicana pela internet, o que enriqueceu de detalhes os fatos mostrados na fita de Julie Taymor.

O simples fato de contar de forma relativamente fiel e bem detalhada a história de uma mulher como ela já paga a locação do filme. Sua vida foi fascinante, mas também comovente. E o melhor de tudo é que o filme não se limita apenas a contar os acontecimentos. Ao longo da narrativa, a obra da artista é mostrada, em paralelo ao fato que a inspirou. Com isso, percebemos por quê Frida Kahlo é tão conceituada no meio artístico. Ela extressava na tela suas emoções, sua dor, sua angústia, suas fantasias, enfim ela pintava algo interior, como forma de se aliviar. Poder acompanhar o processo criativo, simultaneamente à vida da artista é sem dúvida alguma o ponto alto do filme, mas não foi a primeira qualidade que eu notei nele.

Tecnicamente, o filme é muito bom. Toda a fotografia lembra uma tela da pintora, com suas cores fortes e extravagantes, saltando ao nosso olhar. A trilha sonora me pôs em contato com uma parte da música mexicana que eu não conhecia. Ouvi (e depois baixei) a maravilhosa Chavela Vargas e sua interpretação recheada de emoção de La Llorona. Não foi à toa que em 2002, o favorito ao Oscar de melhor trilha sonora, Chicago, de Rob Marshall, perdeu a estatueta para Frida. O outro prêmio recebido pelo filme foi o de melhor maquiagem. Outra vez mais do que merecido. Sobre esse elemento eu nem preciso falar muito, basta que o espectador olhe para a protagonista e já perceberá a qualidade do trabalho realizado. Mas como a Academia nunca é totalmente justa, a Salma Hayek não ganhou o prêmio por melhor atuação naquele ano. A caracterização da personagem é fantástica. Salma consegue nos passar todas as dores de Frida pela sua expressão. E a expressão da personagem é um ponto crucial nesse caso, pois a verdadeira Frida Kahlo tinha um ar masculinizado, com traços fortes e um olhar meio sizudo e profundo que, por vezes dava lugar a um sorriso franco e aberto. E a bela Salma Hayek, presente em obras menos significativas como o ridículo As Loucas Aventuras de James West e nos dois últimos episódios da trilogia de Robert Rodriguez A Balada do Pistoleiro e Era Uma Vez no México, se mostra bastante copetente, mas pouco influente a ponto de poder desbancar a "queridinha" de Hollywood na época, Niicole Kidman. A igualmente bela e competente atriz australiana acabou levando o Oscar de 2002, por As Horas.

Realmente Frida tem muitas qualidades e poucos defeitos. Além do que eu citei, a direção de arte e o figurino também merecem elogios, mas o filme peca naquele ponto conhecido de quem costuma assistir a muitas cinebiografias: o roteiro enxuto demais. Esse problema deve ser relevado, devido às limitações impostas pela linguagem cinematográfica. Eu acredito que ninguém gostaria de ficar 5 horas assistindo em detalhes à vida de ninguém, por mais interessante que essa pessoa seja. O outro ponto negativo do filme é bem mais problemático, pricipalmente porque ele poderia ter sido evitado se os produtores pensassem mais na arte em si do que em seus lucros. Eu estou falando da língua do filme. Parece estranho reclamar de algo assim, mas me soou muito mais estranho ver tantos personagens mexicanos, vivendo no méxico, conversando com outros mexicanos, em inglês. Será que seria tão difícil assim vender o filme se ele fosse falado em espanhol? Eu diria que o resultado final seria muito superior ao que foi atingido. É uma pena que os diretores da Miramax, distribuidora do filme, não concordam comigo.

Mas esse problema acaba sendo abafado pela brilhante obra de Frida Kahlo, uma mulher sensacional que sempre esteve à frente de seu tempo e nos dá uma lição de perseverança, mostrando toda a sua vontade de viver, apesar de tudo o que sofreu.

Pra ilustrar melhor o filme, eu vou mostrar não só cenas do filme, mas também algumas das obras de Frida.

Imagens:









Cotação:

enviada por Paraíba Hi-Tech



18/09/2004 04:25
Num momento de pura pretensão me ocorreu um pensamento:

"Eu acho que perdi o meu dom de escrever sobre filmes..."

Até parece que eu, algum dia, o tive! O fato é que o cinema continua sendo uma grande paixão - ao lado do futebol e das mulheres, não necessariamente nessa mesma ordem - mas nos últimos dias, tenho visto poucos filmes e desses poucos (e bons) filmes, só vêm à minha cabeça algumas citações. Apesar de tudo, isso pouco importa... Afinal de contas, "I'm a Golden God!"

A ficha realmente caiu quando a Sarah me criticou porque toda vez que ela entrava no meu blog, só via fotos de mulheres. Mas o que eu posso fazer??? "It's all happening!"

Alguém vai me perguntar que diabos de post é esse. Enfim... Hoje não é um dia pra eu ser levado a sério! "I'm on Drugs!!!"

Bem, algumas pessoas já devem saber do que eu estou falando! Sim, você que não está entendendo nada, fique certo que eu estou falando de cinema. Estou falando do melhor filme sobre bandas de rock de todos os tempos. Estou falando sobre o...

Filme de Hoje

Quase Famosos (Almost Famous, 2000)

Direção: Cameron Crowe

Elenco: Billy Crudup, Patrick Fugit, Kate Hudson, Frances McDormand, Jason Lee, Anna Paquin, Fairuza Balk, Noah Taylor, Philip Seymour Hoffman.

Poster:



Sinopse: William Miller é um garoto de 15 anos, precoce e fã de Rock'n'Roll. No início da década de 70, ele começa a escrever sobre música e logo seu talento é reconhecido pela famosa revista americana Rolling Stone que lhe oferece um trabalho freelancer. Ele é designado para escrever sobre a turnê da banda Stillwater e passa a acompanhar todo o cotidiano das estrelas do Rock.

Comentários: Antes de mais nada, eu tenho de dizer algo: Clau, Almost Famous é foda pra caralho!!!! Esse post é dedicado a você, Mentha Lane.

Ok, voltando ao filme...
Eu não era muito fã de filmes sobre bandas, especialmente filmes sobre bandas de rock da década de 70. Vi alguns, como Detroit Rock City e Histeria, mas nenhum nunca chegou a me empolgar. Alguém pode dizer que o motivo da minha falta de entusiamo era o meu desinteresse pelas bandas que eram abordadas. Na verdade, não era isso. Eu curto Kiss, mas não achei Detroit Rock City a maravilha que os fãs da banda costumam dizer que é. O que realmente me deixava com o pé atrás em relação aos filmes de bandas de rock era o fato de ser um filme biográfico. Mais do que isso, geralmente era um filme biográfico que contava uma história obviamente verídica sob um ponto de vista extremamente tendencioso. Os olhos de quem assinava os filmes não eram olhos imparciais, eram olhos de fãs. Pura e simplemsmente isso!

Em Quase Famosos, o diretor e roteirista Cameron Crowe usa o poder da criação para evitar cair na "mesmisse" dos demais filmes do gênero. Ao invés de escrever um filme sobre o Led Zeppelin, o Black Sabath, Deep Purple ou qualquer outra banda da época, Crowe cria uma banda fictícia e dá a ela elementos de diversas bandas ícones dessa geração. Assim nasceu o Stillwater, uma banda de rock que começa a experimentar o sucesso.

Se o filme parasse aí, já seria digno de elogios, entretanto ele vai muito mais além. Já que uma banda foi criada, por que não criar personagens igualmente baseadas em pessoas reais, mas que vivem aquele universo misto de realidade e ficção? Eis então que surge o protagonista da história, William Miller. Como bom crítico que sou - lembram do Golden God? - não deixei de pesquisar a biografia de Cameron Crowe. Assim, descobri que ele começou a escrever para a Rolling Stone no auge de seus 15 anos de idade. Sim, o filme é também auto-biográfico.

Desse modo, o filme vai se mostrando genial, misturando personagens fictícios, ou quase fictícios, com outros personagens reais, como alguns músicos que aparecem em cenas esporádicas, ou o lendário crítico musical Lester Bangs, que orienta e aconselha o jovem William em sua trajetória de jornalista.

Ironicamente, num filme recheado de personagens admiráveis, como jovens prodígios, astros do rock e críticos de renome, duas personagens femininas roubam a cena. A primeira delas é a mãe de William, uma professora conservadora, que cria seus filhos sozinha e de forma rígida. Durante todo o filme, ela aparece evidenciando o paradoxo formado entre a vida glamourosa das estrelas e a vida cotidiana de um jovem fã de rock que vive numa pacata cidade de interior. As suas aparições lembram ao espectador que Quase Famosos não é apenas um filme sobre uma banda de rock, mas um filme que fala sobre o amadurecimento de um jovem que se vê entre dois mundos totalmente distintos. Um é mundo real, de onde ele veio, povoado de normalidades. O outro é um mundo cool, da fama, do dinheiro, das mulheres bonitas (já vou falar mais sobre elas...) e das drogas. William se vê nesse dilema, durante toda a sua permanência ao lado de seus ídolos.

A segunda personagem que rouba a cena no filme é uma afronta à minha capacidade poética. Poderia citar até Shakespeare para deixar clara a minha imperícia de descrever Penny Lane em palavras, mas todos iriam me chamar de romântico, piegas ou até mesmo de chato. Por isso, eu vou aprensetar-lhes Miss Penny Lane...



Penny não é uma groupie. Ela é mais do que uma fã. Segundo suas próprias palavras, Penny Lane é uma band aid. Na verdade o que importa uma definição quando estamos falando desse estonteante exemplar da beleza loira? Penny é simplesmente Penny! E isso já é demais...

No filme ela se mostra muito mais do que a maravilha da foto. Ela é uma personagem extremamente rica, cheia de dualidades a serem exploradas. Sua conturbada relação com Russel, líder do Stillwater, contraposta com o singelo, porém forte laço de amizade que a une a Wlliam, resulta num dos mais intrigantes triângulos amorosos já vistos.

Eu estou começando a ficar frustrado ao tentar descrever Penny, por isso, é melhor voltar ao filme...

Por conter tudo o que há de melhor nos filmes típicos de bandas de rock e mais os elementos que eu mencionei é que Quase Famosos se torna um filme cativante e indispensável. Toda a atmosfera dos anos 70 está reproduzida e, ao redor, quase que ininterruptamente, a trilha sonora composta por clássicos como David Bowie, Led Zeppelin e The Who, empolga ainda mais os fãs de Rock'n'Roll de verdade.

Cotação:


enviada por Paraíba Hi-Tech



09/09/2004 23:38
Anica... tá aqui a foto da Lauren no ensaio que os atletas australianos fizeram!




Ela é foda!!!
enviada por Paraíba Hi-Tech



28/08/2004 16:12
As Olimpíadas estão quase acabando, mas antes ainda dá tempo de render minha homenagem à beldade que evitou que eu ficasse triste ao ver o time feminino de basquete do Brasil perder para a Austrália.

Paixão do Momento

Sim, o Brasil foi inferior ao time australiano, durante o jogo inteiro. Utilizamos uma tática errada e perdemos a chance de disputar a medalha de ouro contra os Estados Unidos. Em compensação, a presença de Lauren Jackson na partida me fez esquecer de cada bola perdida, de cada ataque desperdiçado ou de cada arremesso falho do time do Brasil.

Ah, vocês não sabem quem ela é? Pois eu vou contar...

Esta jovem australiana de 23 anos, 1,96m de altura e 85kg é a principal jogadora do fantástico time australiano de basquete. Atualmente, Lauren defende o Seattle Storm na WNBA e na última temporada foi eleita MVP (Most Valuable Player).

Sim, ela é uma brilhante jogadora de basquete, mas o motivo que eu considerei mais importante para resolver trazê-la ao meu blog é, sem dúvida alguma, o fato de ela ser um maravilhoso exemplar de loira, alta, magra e de olhos claros! A cada ponto marcado por Lauren eu tinha de me controlar pra não vibrar, afinal de contas, eu realmente torcia pela equipe brasileira. Infelizmente, o time brasileiro conta com figuras como Alessandra, Iziane e Janeth que jogam muito bem, mas não conseguem reunir sequer um atributo básico para merecer uma foto no meu blog!

Lauren, por outro lado, no alto de seus 1,96m, exibe um rosto lindo e um corpo perfeito! Não adianta de nada eu ficar aqui falando, sem mostrar as imagens... Portanto, faço minhas as palavras de um sábio torcedor australiano que exibia em uma faixa a seguinte frase:

"Lauren, will you marry me?"





Fala sério! Dá pra imaginar essa mulher dentro do garrafão, empurrando a pivô adversária, lutando por um rebote? Pois é... ela faz isso também!

enviada por Paraíba Hi-Tech



27/08/2004 13:13
Eu já estava pra fazer essa análise desde o final do 1º turno, mas fui adiando por preguiça, confesso! Mas antes tarde do que nunca, vou fazer minha leitura do campeonato até aqui, tentando prever os acontecimentos que ainda estão por vir.

Vamos Falar de Futebol

Qualquer pessoa que olha para a tabela de classificação consegue, com razoável facilidade, identificar três grandes grupos. Há o Grupo da Dianteira, composto por times que devem brigar pelo título, seguido do Grupo da Meiuca, que é composto por times que já estiveram no Grupo da Dianteira e perderam rendimento ou por times que cresceram na competição e se livraram do vexame de estar no Grupo do Desespero, os piores times do campeonato que já desistiram da ilusão da recuperação e querem apenas fugir do rebaixamento.

Vamos analisar grupo a grupo...

Primeiro, as notícias boas!

No Grupo da Dianteira estão os times que, na minha opinião, já se mostraram capazaes de levantar o caneco, ao fim das 46 rodadas. Como qualquer analista de futebol que se mostre em sã consciência, eu elejo o atual líder do campeonato, o Santos, como o time que vai ditar o ritmo desse grupo. Eu poderia usar a palavra "favorito" sem qualquer peso na consciência, afinal o Santos tem o melhor técnico em atividade no Brasil, aliado ao melhor elenco de jogadores. Entretanto, se existisse tal favoritismo, eu acredito que o Santos já estaria pelo menos uns 5 pontos à frente do 2º colocado.
A relativa incostância do time de Wanderley Luxemburgo dá aos demais componentes desse grupo, que se extende até o 7º colocado, o São Paulo, de acreditar numa arrancada final rumo ao título. Entre esses times, vemos algumas boas surpresas.
O Atlético-PR, que cresceu muito após a chegada do Levir Culpi, tem um forte contra-ataque, mas não anima seu torcedor por causa do frágil setor defensivo.
O Goiás, que tem como armas, os criativos Paulo Baier , Rodrigo Tabata e Jorge Mutt e o artilheiro Alex Dias, corre o risco de jogar fora a chance de um título histórico se o seu técnico, o Celso Roth, voltar aos velhos dias de retranca incondicional.
A força do Sul também se faz presente nesse grupo, mas não pensem na dupla Gre-Nal. O Juventude é que vem mostrando resultados expressivos e nos surpreendeu até agora, principalmente com grande qualidade defensiva. O time de Ivo Wortmann não conta com grandes estrelas. Nem mesmo o Lopes (ex-um monte de time) pode ser apontado como a peça principal do time. Os pontos fortes do time são o conjunto e a discplina tática.
A Ponte Preta tomou o lugar do São Caetano como representante do futebol do interior paulista no grupo. Mesmo fazendo uma campanha invejável, o time já perdeu 2 técnicos, seduzidos pelos encantos dos grandes times. Ainda assim, o ritmo continuou o mesmo, ou seja, nivelado com os demais do grupo.
Para finalizar esse grupo, temos dois times paulistas que oscilam entre as primeiras posições, sempre ameaçando, mas nunca ultrapassando o Santos. Palmeiras e São Paulo contam com a força da tradição, da camisa e da torcida para compensar as deficiências dos seus elencos. Ambos têm times razoavelmente bons, mas com poucas peças de reposição e centrados em jogadores muitas vezes jovens e com pouca experiência que podem "amarelar" na hora de decidir até mesmo uma partida. O que dizer de um título? Para compensar essa deficiência, eles contam com técnicos que se revelaram bastante competentes. Assim como Luxemburgo, Cuca e Estevam Soares conseguem extrair o melhor de seus elencos.

Passando ao Grupo da Meiuca, notamos que o que tem regido o campeonato desse ano é a inconstância. Da 8ª à 15ª posição, vemos vários times que já estiveram em posições de destaque no início do campeonato, mas perderam rendimento por motivos diversos, e outro que já esteve à beira do abismo e deu a volta por cima, reanimando sua torcida.
Esse que saiu da periclitante condição de "rebaixável", é o Corinthians. Tido como um exemplo de desorganização administrativa, o clube era um dos favoritos ao rebaixamento até bem pouco tempo atrás. Após a chegada do técnico Tite, muita coisa mudou. O grupo tomou jeito de time e passou a pontuar bem tanto em casa, como fora. Devido a essa ascenção recente, muitos corinthianos sairam do armário e voltaram a falar em título e Libertadores. Apesar de acreditar realmente que um técnico bom faz muita diferença em tempos de vacas magras como esse, eu não apostaria meu rico dinheirinho em uma reação tão forte assim do Corinthians. O elenco, que continua o mesmo e tem suas sérias limitações, já fez muito em livrar o time do perigo da Série B.
Ao lado do Timão, vemos uns tantos cavalos paraguaios e umas outras promessas que não se firmaram.
Os dois representantes do futebol catarinense deram um belo show pirotécnico no início do campeonato. Figueirense e Criciúma chegaram inclusive a liderar o torneio por algumas rodadas, mas quando se perguntava aos seus técnicos sobre as chances de seus comandados levantarem o título nacional, ninguém falava abertamente que entrou pra ganhar. Esse pensamento pequeno, excessivamente humilde, acabou tirando o fôlego dessa dupla de grandes times pequenos.
Outro tipo de time que compõe esse grupo são as promessas não cumpridas. As duas promessas mais decepcionantes vestem azul. Credenciados pelas campanhas do ano passado e títulos na atual temporada, São Caetano e Cruzeiro até que começaram bem o campeonato, mas não conseguiram acompanhar o ritmo dos líderes. Explicações (ou desculpas, como preferirem) para o infurtúnio existem muitas... O São Caetano, que havia se livrado da "síndrome do vice" e havia conquistado o título paulista desse ano, perdeu um de seus jogadores mais importantes, o Gilberto. Além disso, seu principal armador, o homem de criação no meio de campo, o Marcinho, sofreu uma contusão séria e não retomou o ritmo ainda. Algo parecido aconteceu no Cruzeiro. Após a saída do capitão do barco, Luxemburgo, que liderou a equipe a diversos titulos no ano passado, o time não se achou mais. Pra piorar, a estrela do time, o Alex, foi vendido e ninguém conseguiu ainda ocupar a lacuna deixada por ele na meia-cancha cruzeirense. Em resumo, esses são dois times diferentes dos dois do ano passado. Muitos esperavam que as peças fossem repostas com sucesso, mas isso não ocorreu.
As outras três farsas que compõem esse grupo são o Coritiba, o Internacional e o Fluminense.
Aqui pelas bandas de Curitiba, mais especificamente lá no Alto da Glória, muita gente achava que o delegado Antonio Lopes, poderia levar o Coxa a um sucesso além das fronteiras brasileiras. A realidade foi cruel com o torcedor coxa-branca... O fracasso na Libertadores veio e deixou um rastro no Campeonato Brasileiro. Ninguém mais está tão otimista como antes. Estrelas que vieram para resolver, como Aristizabal e Luís Mário pararam de reluzir. E assim segue a campanha do Coritiba, cheia de altos e baixos.
Seguindo mais pro Sul, encontramos um Internacional que já deveria estar acostumado com a decepção. Ano passado o time já havia deixado escapar a vaga na Libertadores na última rodada. Isso desencadeou uma crise no clube que ainda não foi solucionada. A chegada de Joel Santana ao comando do time só complicou a situação. O time que não tinha chegada, agora não tem identidade. O futebol gaúcho não tem a cara do futebol pregado por Joel Santana e vice-versa. O problema é que alguns resultados bons acabam iludindo o torcedor (e o diretor também!) e o Joel se mantém no cargo. E assim o Inter segue em sua mediocridade...
Finalmente chegamos ao Fantástico Mundo do Futebol Carioca!!! A melhor ilusão proporcionada pelos cariocas esse ano é o Fluminense. Será que minha memória ainda está boa? Eu lembro de ter visto muita gente gritar aos 4 cantos que o "Quadrado Mágico das Laranjeiras" iria ser uma sensação. Eu ouvi também que "Os 4 Fantásticos" iriam levar o Fluminense de volta à sua saudosa época de sucessos. Roger, Ramon, Edmundo e Romário continuam nas Laranjeiras, mas onde estão as glórias? Será que alguém teve a idéia de procurar no Departamento Médico?

Chega de fantasia! Voltemos à realidade nua e crua... E ela é cruel! Principalmente com os times que compõem o Grupo do Desespero. Em tempos de nivelamento (por baixo), esse não poderia deixar de ser o maior dos 3 grupos descritos aqui. Nove times formam o grupo do qual sairão 4 times que ajudarão a compor a Série B do ano que vem.
Se você acha que eu vou falar aqui apenas de clubes denominados "pequenos" como Paraná, Paysandu ou Vitória, se enganou. Entre esses nove times, podemos contabilizar nada menos que 12 títulos brasileiros. É espantoso, mas esses tradicionais times não lutarão por mais um título pra sua galeria esse ano.
O primeiro destaque desse grupo é o Vasco. Denominado pelo nosso querido Eurico Miranda como "irrebaixável", o time cruz-maltino começou muito mal o campeonato, frequentando assiduamente a zona de rebaixamento. No papel, o time não é de todo o mal. Temos alguns bons jogadores no elenco, como Robson Luiz e Petkovic . Pra compensar, temos também ex-atletas em atividade, como o Alex Alves e o Valdir. Mas a competência do Geninho, consegue contrabalançar essas figuras com revelações, como Coutinho e Muriqui. No final das contas, o Vasco é o que tem menos chances, desses nove times, de acabar rebaixado no final do campeonato.
Ao lado do Vasco, o Vitória também deve se safar. A diretoria do time deve achar que estamos no início da temporada, pois o time ainda está se reforçando. Recentemente, o time trouxe de volta o badalado Alan Delon, além do já folclórico volante Amaral. Se esses reforços conseguirem render bem, juntando-se a nomes de qualidade como o Obina, Edílson e Marcelo Heleno, o time baiano deve deixar esse grupo e se juntar às promessas não-cumpridas do Grupo da Meiuca.
Desse ponto da tabela pra baixo, a coisa começa a complicar.
Os dois times seguintes, Grêmio e Atlético-MG pareciam dispostos a reagir. Eu particularmente acredito no trabalho do Jair Picerni no Galo. Se ele conseguir manter o controle emocional do time, ele se livra até facilmente dessa ameaça. Mas ele não pode entrar em campo e marcar gols. É esperar pra ver se o Rodrigo Fabri ou o Alex Mineiro conseguem reeditar antigas atuações em Brasileiros. Já no time gaúcho é mais complicado de acreditar. Após a negociação do atacante Christian, só restou a inconstância de seus colegas de ataque, Marcelinho e Cláudio Pitbull. Pra piorar, o Grêmio parece não contar mais com todo o poder defensivo que impressionava toda imprensa especializada em outras épocas. Os gremistas sentem saudades de jogadores como Tinga, Arce e Anderson Polga, só pra citar exemplos medianos. Nem vou citar figuras como Felipão e Ronaldinho Gaúcho porque não gosto de ver adulto chorar!
Se a coisa já tava complicada, de agora em diante, a tabela parece mais uma piada! Os 5 últimos times da tabela vão promover uma briga de foice pra definir quem vai cair para a Segundona em 2005. Atualmente eles se alternam entre "aliviado", "mortos na praia" e "lanterninha".
O Flamengo experimentou, por muito tempo, o gosto amargo de ser o Lanterna do campeonato. Podem me chamar de cabeça dura ou algo que o valha, mas eu ainda acredito que o problema do Flamengo não está nos jogadores. Não é um time primoroso, mas não deixa nada a dever a elencos como o do Juventude, por exemplo. Então, o que acontece na Gávea? Por que Felipe, Zinho, Athirson, Júlio César, Dimba e Cia. Ltda não conseguem dar conta do recado? Acho que falta a eles o que torna jogadores como Magrão, do Palmeiras, um jogador de seleção: vontade de jogar! Que ânimo pode ter um trabalhador que não recebe em dia ou que é tratado como amador? O fato é que hoje em dia, ter um elenco bom no papel deixou de ser o principal ponto para determinar favoritismo. Ter a folha salarial em dia deve ser prioridade em qualquer time profissional e isso só se consegue com organização e seriedade na administração. Tentem procurar essas duas palavras no Glossário Carioquês de Futebol... Eu não encontrei!
E o que dizer de um time que comemora seu Centenário na zona de rebaixamento? Esse é o aglomerado de ex-atletas em atividade, localizado em Niterói que muitos ainda teimam em chamar de Botafogo de Futebol e Regatas. Sinceramente, nem mesmo a chegada do bom técnico Paulo Bonamigo, me deixa com alguma perspectiva de ver o Botafogo de fora dos 4 rebaixados, ao final do campeonato. Eu vou listar alguns "jogadores" do time... Ruy, Scheidt, João Carlos, Jorginho Paulista, Valdo, Almir, Luizão, Schwenck... Algum desses empolga? Não a mim!
E por falar em passado, chegamos ao outrora temido Guarani. A equipe - se é que dá pra chamar aquilo de equipe - é um conjunto de erros. Erros de contratação, erros de planejamento, erros de administração etc. O Bugre parece ser o mais carioca dos paulistas no campeonato. Eu como bom torcedor do Sport, vejo o Valdir Papel jogando no time campineiro e só consigo dar muitas risadas! Risadas de alívio por não vê-lo mais no meu time. Garanto que os torcedores da Ponte Preta também se divertem com isso.
E pra quem achava que esse post não teria fim, aqui está o lanterna do campeonato: o Paraná Clube. Para quem não conhece a filosofia do clube paranaense, pode ser espantoso vê-lo na última posição do Brasileiro. O que acontece é que o Paraná é um celeiro. Sim, eles têm uma estrutura de time pequeno que revela um ou outro bom jogador por ano e o vende pra poder manter as contas do clube no azul. Esse ano, parece que os olheiros não estavam inspirados e os problemas começaram já no Paranaense desse ano, quando o fantasma do rebaixamento já rondava a Vila Capanema. Não tem outra coisa a se fazer... Eu tenho pena dos paranistas que vão ter de encarar a guerra da Segundona e correm o risco de se transformar numa Portuguesa de Desportos , clube que já teve times memoráveis, revelou craques que escreveram seus nomes na história do futebol brasileiro, mas que não conseguirá mais subir para a Série A.

E pra não dizerem por aí que eu amarelei na hora de palpitar de verdade, aí vai minha aposta para a classificação final do Campeonato:

1- Santos
2- São Paulo
3- Palmeiras
4- Goiás
5- Atlético-PR
6- Ponte Preta
7- Cruzeiro
8- São Caetano
9- Juventude
10- Corinthians
11- Internacional
12- Coritiba
13- Figueirense
14- Fluminense
15- Vitória
16- Criciúma
17- Vasco
18- Atlético-MG
19- Grêmio
20- Flamengo
21- Paysandu
22- Botafogo
23- Guarani
24- Paraná

Bom, eu não pretendo aqui acertar 100% das previsões, mas eu quero lembrar desse post ao final do Campeonato. Vou deixar aqui a tabela de classificação atual, que ilustra bem a divisão por grupos que eu proponho como base para os palpites.




enviada por Paraíba Hi-Tech



20/07/2004 18:28
Mais um dia de chuva, mais um post no blog!
Acho que nunca postei dois dias seguidos antes...
E o poste de hoje é digno de uma tarde fria e chuvosa, daquelas que nós odiávamos quando éramos crianças porque não podíamos sair pra brincar e acabávamos assitindo filmes na Sessão da Tarde.

Filme de Hoje

Infielmente Tua (Unfaithfully Yours, 1984)

Direção: Howard Zieff.

Elenco: Dudley Moore, Nastassja Kinski, Armand Assante, Albert Brooks, Cassie Yates, Richard Libertini, Richard B. Shull.

Poster:




Sinopse: Renomado maestro, de meia-idade, casado com uma jovem e linda atriz italiana, suspeita que ela o trai com um jovem e promissor violinista de sua orquestra. A partir daí, ele arma o assasinato da esposa para se vingar.

Comentários: Ao parar no Telecine no típico horário após os programas esportivos, hoje eu me deparei com essa levíssima comédia romântica. Nada melhor do que isso para preencher uma típica tarde de inverno em Curitiba.

No elenco, Dudley Moore, um ícone dos filmes da Sessão da Tarde, em sua melhor fase. A sua interpretação está ótima, com destaque para os seus trejeitos durante as cenas de condução da orquestra e para as cunfusões que ele arma, durante a execução de seu malígno plano de assassinato. Ao seu lado, a maravilhosa, estonteante, perfeitamente esguia, Nastassja Kinski. Por incrível que pareça, ela convence como atriz e até protagoniza alguns bons momentos do filme. Por exemplo, a cena em que ela está tomando banho! Ok, eu confesso! Ela é linda, mas deixa a desejar na interpretação. Mas depois eu volto a esse assunto...

Enfim, o enredo do filme é bem "água-com-açúcar", mas apresenta cenas hilariantes. Como numa típica comédia de erros, a graça toda do filme está no fato de que Claude, a personagem de Dudley Moore, acredita realmente que sua esposa, Danielle (Kinski), o trai, quando na verdade, nada disso acontece. Calma! Eu não entreguei o climax do filme... Esse fato é notório para o espectador, que desse modo, percebe todas as trapalhadas de Claude.

Só para não perder o hábito de contar cenas do filme, eu sugiro que prestem atenção em duas cenas. A primeira é o "duelo" de violinos entre Claude e Max, o suposto amante. A segunda é a comparação entre o planejamento do assassinato e a execução do crime. Simplesmente hilário!!!

Imagens: Bem eu vou ficar devendo imagens do filme, pois só achei fotos do original Odeio-te, meu amor, de 1948. Mas pra compensar, eu resolvi fazer uma pequena pesquisa fotográfica na carreira da Nastassja Kinski. Deleitem-se...





E pra finalizar, um close num dos rostos mais bonitos do cinema.



Cotação:

Para o filme:

Para a Nastasja:

enviada por Paraíba Hi-Tech



19/07/2004 17:20
Acordo hoje ao meio-dia... Do lado de fora, chuva e muito frio. Do lado de dentro, alguma coisa pra comer e TV a cabo. O resultado disso é uma tarde de filmes, pipoca, café, biscoito recheado e um post a mais no blog.

Filme de Hoje:

Spider - Desafie sua mente (Spider, 2002)

Direção: David Cronenberg.

Elenco: Ralph Fiennes, Miranda Richardson, Gabriel Byrne, Bradley Hall, Lynn Redgrave, John Neville, Gary Reineke, Philip Craig.

Poster:



Sinopse: Dennis "Spider" Cleg é um ex-interno de uma instituição psiquiátrica que, ao voltar ao convivío social, retorna ao bairro onde morava quando criança. O lugar trás à sua mente lembranças de sua infância conturbada e dos seus maiores traumas.

Comentários: O sub-título dado ao filme pelo tradutor, se não foi de uma felicidade total, foi condizente com a realidade do filme. Para aqueles que conhecem a obra de David Cronenberg ele se torna desnecessário, completamente redundante. Um filme que desafia a nossa mente é o mínimo esperado por qualquer um que já tenha assistido a um filme do diretor canadense que ficou famoso na década de 80, após sucessos que se tornaram clássicos como A Mosca, Scanners - Sua mente pode destruir, A Hora da Zona Morta ou Gêmeos - Mórbida Semelhança, mas que andou sumido do grande público nas décadas seguintes. Como eu disse, do grande público, pois pra quem se interessa por um cinema de reflexão psicológica, Cronenberg esteve bastante vivo no cenário cinematográfico recente, com filmes como Videodrome - A Síndrome do Vídeo, M Butterfly e os ainda inéditos pra mim, eXistenZ e Crash - Estranhos Prazeres.

Este mais recente trabalho de Cronenberg faz jus à boa fama do diretor. Desde o começo do filme, o espectador é convidado a uma viagem. A cena inicial mostra a chegada de nosso protagonista, "Spider", à estação de trem do subúrbio londrino onde ele nasceu. Mas a viagem a que me referia não é uma viagem de trem ao East End, mas um longo passeio pela mente de um homem perturbado pelo seu passado. As cenas seguintes nos mostram qual será a tônica do filme. De forma essencialmente icônica, Croneberg descreve seu protagonista. O Sr. Cleg, como é chamado no início do filme, é um homem solitário, recluso em seu próprio mundo. Ele combina perfeitamente com o cenário utilizado, com velhos prédios à beira da condenação, com portas e janelas cerradas, situados em ruas desertas. É em meio a esse quadro que "Spider" balbucia palavras incompreensíveis e passa o dia a escrever no seu caderninho, uma espécie de diário no qual ele registra,de forma igualmente incompreensível, através de símbolos que se repetem uns após os outros, os acontecimentos de sua vida e rememora fatos passados.

É a partir daí que a viagem se torna interessante. Nós agora somos levados à casa de Dennis, o pequeno "Spider", como era chamado por sua atenciosa mãe. Sob uma visão exclusivamente impressionista, conhecemos o processo traumático que levou à atual situação psicológica de "Spider". Hoje eu não vou restringir o público que possivelmente possa se interessar pela leitura de minha resenha, entregando pontos cruciais da discussão proposta pelo filme. Mas muitos já devem imaginar que seria interessante assistir ao filme prestando atenção no modo como reage o pequeno Dennis ao ter contato com a sexualidade de seus pais.

Vou parar por aqui, pois caso contrário, eu me empolgo e entrego todo o final do filme! Definitivamente, Spider é um filme que vou indicar à psiquiatra do CINDACTA, na minha próxima inspeção de saúde.

Imagens:







Cotação:

enviada por Paraíba Hi-Tech



14/07/2004 18:09
Férias terminadas e de volta ao trabalho!
Apesar de isto aqui ser um blog, eu também tirei férias dele, por uns dias.
Como todos sabem, eu não uso esse espaço como ele deveria ser usado portanto, não vou contar como passei esses últimos dias, mas comentar sobre um filme interessante que eu (re)vi nesse período de férias e que acho que merece a atenção de vocês. Além disso, as lembranças das férias só precisam ser compartilhadas com quem esteve conosco.

Filme de Hoje:

21 Gramas (21 Grams, 2003)

Direção: Alejandro González-Iñárritu

Elenco: Sean Penn, Benicio Del Toro, Naomi Watts, Danny Huston, Marc Musso, Teresa Delgado.

Poster:



Sinopse: Jack (Benicio Del Toro) é um ex-presidiário que se converteu e devota sua vida fervorosamente à religião. Christina (Naomi Wattz) é uma jovem viúva que ainda não aprendeu a conviver com a dor da perda de seu marido e de suas duas filhas. Paul (Sean Penn) tem problemas cardíacos e aguarda na longa fila de espera por um transplante de coração. Um terrível acidente de carro, acaba unindo a trajetória dessas três pessoas.

OBS: Ok, vou avisar antes! Eu costumo contar detalhes demais nos meus comentários. Recomendo que só leiam após assistirem ao filme.

Comentários: Sem nenhuma sombra de dúvida, 21 Gramas é um filme que grita aos nossos olhos, desde os primeiros minutos de projeção. A forma que Iñárritu escolheu para editar a película é, no mínimo, curiosa. A primeira impressão que temos é que a montagem foi feita de forma aleatória, ignorando qualquer tipo de seqüência lógica e/ou cronológica. Não consegui realmente achar uma fórmula para explicar a seqüência seguida pelo filme, entretanto esse detalhe não interfere de forma alguma a compreensão dos fatos. Pareceu-me que a opção por essa descontinuidade tem como objetivo apenas evidenciar a confusão interior das personagens .

Por isso que eu afirmo que o melhor em 21 Gramas não é sua edição. Digamos que a edição está ali, chamando nossa atenção para o tema proposto, apenas como um atrativo inicial. Aos poucos, após entendermos a estrutura - ou a falta de estrutura - da narrativa, é possível atentar para o principal foco do roteiro: as relações humanas.

O filme conta com três personagens principais riquíssimos, unidos pelo sofrimento, pelo pessimismo e pelo acaso de um acidente de carro, causado por Jack. Essa fatalidade ao mesmo tempo que tira a vida da família de Christina, renova de esperança a vida de Paul. Assim os três passam a fazer parte de um enlace realisticamente irônico e trágico. Notem como as histórias estão perfeitamente entrelaçadas. Cada um deles tem uma obstinação quase que obssessiva por algo. Jack está convencido que é um objeto da cólera divina e por isso se revolta contra o Deus ao qual ele se convertera na cadeia. Essa idéia fixa o leva a um perseverante desejo de auto-punição que o leva a negligenciar sua família. Paul parecia desacreditado da vida, devido a um problema cardíaco que o deixava praticamente vegetando. Esse quadro muda, quando aparece um doador para o seu transplante de coração. Com a saúde renovada, ele alimenta agora um desejo incontrolável por conhecer a família daquele que lhe devolveu a vida saudável. É aí que entra Christina! Seu marido, morto no acidente causado por Jack, foi quem doou o coração a Paul. O encontro deles desperta uma forte paixão, mas também um enorme sentimento de vingança por parte de Chritina. Quando os dois partem à procura de Jack, para matá-lo, fecha-se o elo do sensasional enredo.

Em um roteiro como esse, é fundamental que o diretor saiba explorar todo o potencial de seus atores, afinal de contas o atrativo do filme são as personagens e suas relações. Definitivamente, Iñárritu conseguiu levar o trio Penn/Wattz/Del Toro a um nível altíssimo. A narrativa irregular agora nos ajuda a perceber as mudanças sofridas pelas três personagens, ao longo da história. Os cortes repentinos, mostrando pontos distintos no tempo lado a lado, expõem perfeitamente o trabalho de atuação que cada ator empregou para exprimir a mudança sofrida por sua personagem. Todos estão muito bem, entretanto nenhum deles foi premiado com o Oscar. Sean Penn inclusive nem sequer foi indicado, o que caracteriza, na minha opinião, uma enorme injustiça.

Mas enfim, assim é a imcompreensível Academia...

Imagens:







Cotação:

enviada por Paraíba Hi-Tech



24/06/2004 16:12
É bom estar um pouco mais livre da faculdade!
Só tenho uma tradução para terminar e então... Férias!
Assim, espero que tenha mais tempo pra escrever aqui e tomar conta de algumas coisas da ABCTA que ainda estão pendentes e que, por assim estarem, me incomodam bastante.

Mas enfim... Vamos ao que interessa?

Filme de Hoje

Tiros em Columbine (Bowling for Columbine, 2002)

Direção: Michael Moore

Poster:



Sinopse: Columbine High School, 20 de abril de 1999. Dois adolescentes matam 14 pessoas com armas compradas legalmente. A partir desse fato, Michael Moore dirige um documentário que discute a política de porte/venda de armas nos EUA e o fascínio que tais objetos exercem no povo "estadosunidense".

Comentários: A chegada de Elefante, de Gus Van Sant, aos cinemas curitibanos, uma indicação do Eric - uma das poucas pessoas com quem é possível discutir cinema lá no trabalho - e uma discussão sobre o filme O dia depois de amanhã, na qual eu comparo a propaganda manipuladora de massas, contida nos blockbusters hollywoodianos, com a propaganda nazista de Hitler, me instigaram a jogar Tiros em Columbine para o topo da minha lista de filmes a ver.

E não me arrependi! O documento de Michael Moore acerca de um problema evidente aos olhos de muitos, mas inexistente para a maioria dos "estadosunidenses" trás à tona uma discussão bem interessante. Moore não chega a eximir de culpa a dupla de estudantes que disparou contra os seus colegas na Columbine High, entretanto o diretor defende que outros pontos devem ser considerados em casos como este.

Sob a sustentação de dados empíricos, como estatíticas de quantidades de assassinatos em países ricos, como Alemanha, Inglaterra, Japão e Canadá, e de dados históricos que comprovam atrocidades cometidas por governantes dos EUA ao longo dos tempos, Moore aponta a política armamentista "estadosunidense" como culpada por tais eventos.

Na visão do diretor, a conivência intencional com que os políticos tratam as leis de porte/compra de armas nos EUA é um dos principais responsáveis pela adoração da população pelas armas de fogo. Viajando por várias localidades dos EUA, Moore mostra que o cidadão "estadosunidense" é uma pessoa amedrontada, procurando segurança nas armas. O quadro se agrava ainda mais, devido à imprensa sensasionalista - leia-se qualquer uma das majors em jornalismo nos EUA - que dissimina indiscriminadamente a cultura do medo entre a população.

E é a partir dessa cultura que os precedentes são abertos para inúmeros crimes contra a humanidade serem cometidos. O raciocínio usado por Moore é lógico e simples... O povo vê o país mais violento do que ele realmente é, portanto entende que precisa se proteger. Desse modo, se arma e se encarcera em seus próprios lares, na tentativa de fugir de seus inimigos inventados. Se é tão fácil assim enxergar um potencial inimigo em seu vizinho negro ou latino-americano, por que não seria igualmente fácil enxergar um inimigo a milhares de kilômetros de distância, no Golfo Pérsico, por exemplo?

O pacifista Moore enxerga a solução de um problema mundial, no quintal de sua casa e trava uma luta contra poderosos produtores de armas e políticos que os suportam, armado apenas de idéias e uma câmera. E foi assim que ele realizou o único documentário selecionado para a mostra oficial de Cannes em todos os tempos. Foi assim que ele ganhou o Oscar de melhor documentário de 2002 e obteve a chance de criticar abertamente a política de controle de armas do governo Bush, bem como sua política exterior, ao vivo, para milhões de pessoas no mundo todo.

Mesmo que você não concorde com os pontos de vista do diretor, produtor, escritor, narrador e astro de Tiros em Columbine, vale a pena ver o filme pelo seu caráter documental. Com exceção de alguns adeptos da extrema direita, todos irão aplaudir o documento de Michael Moore sobre a obssessão do povo "estadosunidense" pelas armas e pela violência. A simplicidade, o sinismo e o bom humor - quase sempre sarcástico - de Moore dão o tempero necessário ao filme deixar de ser um simples documentário mediano e se tornar uma obra-prima de coragem e perseverança. Cenas como a entrevista a Charlton Heston, ator renomado, líder da NRA - National Rifle Association, entidade que defende que a população deve se armar - e a hilária animação que mostra um pequeno cartucho de 9mm, contando a história "estadosunidense", enfatizando que o medo sempre esteve presente no país, desde os primórdios de seu tempo, ficarão guardadas na memória, como uma referência ao melhor estilo de se fazer um documentário.

Eu continuo aplaudindo até agora!

Imagens:

Eu achei algumas fotos, mostrando o desespero de algumas pessoas envolvidas na tragédia de Columbine High, mas não acho necessário postá-las aqui. Lembrem-se que o ponto crucial do filme não é o ocorrido lá, mas por que fatos como esse vêm ocorrendo sucessivamente nos EUA.













Cotação:

enviada por Paraíba Hi-Tech



15/06/2004 02:35
Filme de Hoje

Diários de Motocicleta (The Motorcycle Diaries, 2004)

Direção: Walter Salles

Elenco: Gael García Bernal, Rodrigo De la Serna, Ulises Dumont, Facundo Espinosa, Susana Lanteri, Mía Maestro, Mercedes Morán, Jean Pierre Noher


Poster:




Sinopse: O filme narra a viagem feita por Ernesto Che Guevara, antes de se tornar o maior revolucionário político das Américas, juntamente com seu grande amigo Alberto Granado, pela América do Sul.

Comentários: Finalmente consegui assistir a Diários de Motocicleta!
Pra vocês terem idéia, por duas vezes eu deixei de ver o filme, pra ver Alguém tem que ceder e O dia depois de amanhã. Tá, eu deveria me matar por causa disso, confesso! Mas não o fiz... Ainda bem!

O filme é praticamente perfeito.
Como todo bom road-movie, trás imagens de uma plasticidade sensacional. A cada kilômetro percorrido pela dupla Guevara/Granado, o espectador se delicia com planos de fundos maravilhosos, como a Cordilheira dos Andes ou a cidade inca de Machu Picchu.

Mas é muito fácil explorar a plasticidade das locações por si só. Por isso, Walter Salles vai mais além... O modo como ele conta a história é muito poético. De forma sutil, ele mostra a transformação da personagem. No início, Ernesto era apenas um estudante de medicina que "viajava por viajar", como ele mesmo dizia. Mas ao longo de sua jornada, sua viagem ganha novas motivações. A quebra de La Poderosa - a moto que os levava - é o turning point da história. Viajando a pé é que a dupla encontra o casal de mineiros, explorados por seus patrões e perseguidos por sua opção política, o pequeno guia turístico que lhes mostra as belezas da civilização inca em contraposição à "desenvolvida" civilização capitalista, e ainda os leprosos excluídos do convívio social por causa de sua doença.

É nesse ponto que o filme se torna ainda mais interessante. Logicamente, o filme tem um forte apelo ideológico, mas esse apelo está implícito nas dificuldades atravessadas pelos protagonistas e na amizade compartilhada por eles. Mas são os pequenos detalhes, como quando Ernesto se nega a usar luvas e estende sua mão para cumprimentar o leproso, o singelo discurso de aniversário, falando de uma América Latina unificada ou a pedra arremessada contra o caminhão da empresa mineradora, que dão o toque de genialidade ao roteiro.

É esse tipo de sutileza poética que é responsável pela crítica favorável ao filme, mesmo no mercado "estadosunidense".

Imagens:








Cotação:

enviada por Paraíba Hi-Tech



07/06/2004 23:57
Pra compensar o tempo que passei vendo um monte de filmes que não mereciam sequer o tempo de assistí-los, o que dizer de comentá-los, agora tenho visto vários filmes espetaculares!

Filme de Hoje

Veludo Azul (Blue Velvet, 1986)

Direção: David Lynch

Elenco: Kyle MacLachlan, Isabella Rossellini, Dennis Hopper, Laura Dern, Hope Lange, Dean Stockwell.

Poster:




Sinopse: Jeffrey Beaumont é um jovem que retorna à sua cidfade natal para ver o pai doente. Passeando pelo campo, ele encontra uma orelha humana e a entrega à polícia. A partir daí, uma trama envolvendo drogas, sexo, sado-masoquismo e psicose se desenvolve, mostrando que a pacata cidade natal de Jeffrey esconde uma faceta bem diferente da que aparenta.

Comentários: Após duas experiências não muito boas com o David Lynch, em Cidade dos Sonhos e Estrada Perdida, eu resolvi tentar de novo e dar uma chance ao diretor, assistindo a Veludo Azul. Realmente não me arrependi. Finalmente vi um filme do Lynch cuja trama é inteligível.

Veludo Azul começa de forma bem Hitchcockiana, montando uma atmosfera de suspense e de intrigas bem elabora e - sobretudo - entrelaçada pelo diretor e roteirista, David Lynch. Tudo parece perfeito! Jeffrey é um perfeito estudante universitário que deixou sua cidade pra estudar. Sandy é uma perfeita adolescente, estudante de segundo grau de uma cidade de interior. Plumberton é uma perfeita cidade provinciana, com habitantes em harmonia, felizes em sua mediocridade e aparente tranquilidade. O Detetive Williams, pai de Sandy, é um perfeito policial, honesto e preocupado com o bem-estar dos habitantes de Plumberton. Dorothy Vallens é uma perfeita cantora de boate, bonita e sensual. Mas toda esse ar de perfeição começa a mudar, quando Jeffrey encontra a orelha humana decepada e resolve investigar, instigado por Sandy. Seguindo as pistas dadas por Sandy, Jeffrey chega a Dorothy, uma cantora de boate, interpretada pela então estreante Isabella Rosselini. Dorothy tem um caso com Frank, um homem psicótico e perigoso que mantém com ela uma relação sado-masoquista e pseudo-incestuosa.

A partir desse ponto, a trama explora basicamente essa relação, focalizando prioritariamente as luzes sobre a personagem de Frank. Ele é exatamente o oposto da perfeição mostrada em Plumberton e seus habitantes. Lynch criou um estilo com esse filme, sendo possível ligá-lo até a diretores inovadores como Quentin Tarantino. Baseado em antíteses, o diretor critica a idealizada sociedade ocidental. Os opostos são postos em contraposição: o bom e mau, o ingênuo e o dissimulado, o pudico e o pervertido e - por que não? - o azul e o vermelho. Sim, Lynch usa a linguagem icônica do cinema para nos passar essa idéia de antítese. Para ilustrar essa intenção, podemos por em comparação a cena em que Dorothy canta Blue Velvet na boate onde trabalha, sob uma luz azulada, e qualquer cena que se passa na casa dela, com sua decoração toda em tons de vermelho.

Outro ponto impressionante do filme também diz respeito a figuras de linguagem. Pra quem duvida que seja possível fazer uma metáfora apenas usando imagens, eu sugiro dar uma boa olhada em Veludo Azul. Além de cenas essencialmente icônicas, como uma flor, crescendo ao lado de uma cerca branca, uma orelha decepada ou um caminhão de bombeiros passando pela rua, Lynch usa personagens, como o velho cego que enxerga tudo ou o pai de Jeffrey que não consegue falar, para dizer que há algo de podre no reino da Dinamarca.

Esse é o estilo de Lynch. Em 1986, ele já era assim e chocou muita gente com esse filme e suas cenas fortes de sexo devasso. Mas o mais importante é que, mesmo com esse estilo, Lynch é considerado um dos maiores diretores de seu tempo, conseguindo inclusive o reconhecimento da Academia, que volta e meia, surge com uma indicação ao prêmio de melhor diretor para ele. Obter tanto êxito assim, da forma contestadora como Lynch faz, é algo espantoso, em tempos de mediocridade e pouca inovação, como esses.

Imagens:









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enviada por Paraíba Hi-Tech



05/06/2004 07:52
Filme de Hoje

Benjamin (Idem, 2004)

Direção: Monique Gardenberg

Elenco: Paulo José, Cléo Pires, Danton Mello, Chico Diaz, Guilherme Leme.

Poster:



Sinopse: Benjamin Zambraia é um modelo fotográfico, de meia idade, que fez muito sucesso na década de 60, mas que encontra-se num momento decadente de sua carreira. Quando conhece Ariela Masé, uma jovem corretora de imóveis muito parecida com sua antiga paixão, Castana Beatriz, Benjamin passa a reviver todos os momentos marcantes de sua história de amor com Castana.

Comentários: Baseado no romance homônimo de Chico Buarque de Holanda, Benjamin conta duas histórias diferentes, passadas em épocas diferentes, mas vividas pelo mesmo protagonista.

O triângulo formado pelas três personagens principais está muito bem desenhado pela diretora Monique Gardenberg. Explorando bem os flashbacks, contantes durante todo o filme, e os close-ups, para captar as mais leves variações nas expressões dos atores, Monique fez com que o carro-chefe de sua obra fosse as personagens.

E realmente as personagens do filme são notáveis. Benjamin tem uma forte crise de consciência, por causa do seu passado. Ele se julga culpado pela morte de sua amada e vê em Ariela, uma chance de se redimir. Castana era uma mulher forte, de personalidade. Apesar de ter sido bem nascida, foi ativista contra a ditadura militar. Foi perseguida e morta pelos militares. Nela vemos muito do próprio Chico Buarque que fez malabarismo para fugir da censura que podava qualquer expressão artística que contestasse o regime da época. Ariela também se mostra uma personagem muito interessante que causará reações diversificadas nos espectadores, à medida que o filme caminha para o seu final. Não cabe a mim estragar a surpresa de quem for assistir ao filme!

Mas não é só à boa direção que devemos o bom resultado do filme. A dupla de "benjamins" Danton Mello e Paulo José fazem um trabalho belíssimo na composição da persongem. Sobre o veteraníssimo Paulo José, não se faz necessários muitos adjetivos. Todos nós sabemos que ele é um ícone do cinema nacional, presente em obras de referência como Todas as mulhres do mundo e Eles não usam black-tie. Seria chiver no molhado dizer que ele trabalhou muito bem! Sobre o jovem Danton Mello, vale a pena falar um pouco sobre o trabalho realizado, em parceria com o Paulo José, para caracterizar Benjamin. O sincronismo entre os dois nos ajuda a compreender aspectos da personalidade do Benjamin velho que não entenderíamos por completo, sem olhar bem o Benjamin jovem. Já a Cléo Pires... Ah, sobre a Cléo eu falo daqui a pouco!

Depois desse filme, eu já tenho dois livros do Chico Buarqe na minha lista de livros a serem lidos. O primeiro é Estorvo, cuja adaptação para o cinema eu vi há poucos dias. A história realmente é fascinante. O paralelismo de histórias diferentes, passadas em épocas diferentes, mas contadas ao mesmo tempo dão a idéia da genialidade do autor. Infelizmente, a Monique Gardenberg e os outros dois roteiristas, Jorge Furtado, Glênio Póvooas, não podem ser comparados ao Chico Buarque, como escritores. Na verdade, essa não deve ter sido a intenção deles... Mas o fato é que o filme peca em um ponto importante, a falta de informação. Talvez, com meia hora a mais de filme, eles pudessem ter dado ao espectador o background necessário à compreensão de alguns "porquês" do final do filme. Confesso que nas cenas finais, eu me vi um pouco perdido e tive de deduzir certas coisas. Citando meu professor de cinema: "Interpretar é diferente de adivinhar!" Eu tive de adivinhar, mas essa não era minha obrigação.

Mas, enfim... Benjamin é um filme que vale ser visto!

Imagens:






Cotação:

Agora um pouco sobre a Cléo, pois ela é a minha...

Paixão do Momento




Olha só esse sorriso!!!
Bem, ela é filha de ninguém menos que Glória Pires, portanto é fácil de entender de nde vieram essas covinhas charmosas.
E pra completar, ela ainda é talentosa... Sem nenhuma experiência anterior, Cléo acietou o convite para o o filme e, de cara, já recebeu o prêmio de melhor atriz no Festival do Rio, pelo seu trabalho em Benjamin.

Infelizmente eu não achei as cenas mais quentes do filme, mas estou ainda procurando e quando encontrar, elas virão direto pra cá. Quem for ver o filme, verá que ela é muito mais do que um belo sorriso... Ela é um belo conjunto composto por um sorriso lindo, um par de seios perfeitamente naturais, um olhar ingênuo que esconde uma mulher com desejos, uma pele morena tipicamente brasileira e um sotaque carioca sensasional.

enviada por Paraíba Hi-Tech



27/05/2004 01:10
Mais de um mês sem postar...
Mais de um mês sem ver um filme realmente bom...
Mais de um mês ouvindo o pessoal perguntar o que eu tenho visto...

E depois de uma alua do Gérson, veio a boa notícia!
Finalmente um filme que merece um post...

Filme de Hoje

Decameron (Il Decameron, 1971)

Roteiro e Direção:
Pier Paolo Pasolini, baseado na obra homônima de Giovanni Bacaccio.

Elenco: Franco Citti, Ninetto Davoli, Jovan Jovanovich, Vincenzo Amato, Angela Luce, Giuseppe Zigaina, Gabriella Frankel, Vincenzo Crito, Pier Paolo Pasolini, Giorgio Iovine, Salvatore Bilardo.

Poster:



Sinopse: O filme é a adaptação livre das histórias contadas no livro Decameron de Bocaccio. No livro, 10 viajantes, fugindo da praga em Florença, contam 10 histórias em 10 dias. No filme temos 8 histórias fiéis ao livro e mais uma um tanto auto-biográfica do próprio Pasolini. Em síntese, vemos um homem ingênuo que vai a Napoles comprar cavalos e é enganado, um homem que se passa por mudo para se aproveitar de freiras com fama de fornicadoras, um pecador que ao se ver próximo da morte tenta apagar seus pecados, uma mulher que engana o marido bem na sua frente sem que ele perceba, três irmãos que vingam-se de quem desonrou sua irmã, um casal de jovens que planejam sua primeira noite juntos às escondidas, um padre que se aproveita sexualmente da ingenuidade de um casal, dois amigos que fazem um pacto: quem morrer primeiro, voltará para contar ao outro como é a vida pós-morte. E inserido entre as histórias, um pintor (Pasolini) que procura inspiração para terminar a pintura do painel de uma igreja.

Comentários: A adaptação do Pasolini para a fantástica obra do Bocaccio apresenta algumas diferenças com relação ao texto original. Primeiramente, nota-se que o diretor cortou duas histórias do livro. Esse fato é compreensível, já que o filme poderia ficar longo demais. A segunda diferença está na moldura que o Bocaccio dá a seu livro. O Decameron é um conjunto de contos que segue o esquema clássico de As Mil e Uma Noites, ou seja, histórias contadas dentro de outra história, por personagens dessa história original. No filme, esse contexto é excluído. As histórias estão entrelaçadas entre si e vão surgindo sem o envólucro que caracteriza o livro. A última diferença está na profundidade das histórias. Dessa vez, não só por motivos técnicos, o diretor omite detalhes e atenua a dramaticidade de alguns trechos. Essa prática não chega a descaracterizar a adaptação, pois ela é intencional. Com isso, Pasolini explora ainda mais o aspecto que irei tratar a seguir: o realismo da obra.
O Pasolini é um diretor que sempre se preocupa com esse aspecto do realismo em seus filmes. Uma de suas marcas registradas é que ele costuma trabalhar com pessoas comuns, ao invés de atores profissionais. Essa prática, aliada à escolha correta de certos ângulos de câmera e closes, dá ao filme uma espontaneidade raríssima de se ver. Em momento algum, Pasolini se preocupa em esconder ou disfarçar os elementos mais rudes e grosseiros das pessoas. Isso dá ao filme um realismo cru, quase tosco, mas fiel à época. Ao contrário de outras obras que retratam a idade média de forma idealizada e romântica, Decameron mostra como as coisas aconteciam de verdade, sem máscaras, nem maquiagem.
Não é de se surpreender que Pasolini tenha escolhido filmar Bocaccio. Escrito no século XIV, o Decameron para muitos pode parecer uma obra à frente de seu tempo, mas na verdade, ela é uma obra que retrata exatamente o que era a época. Bocaccio conta histórias que remetem ao embate sexualidade X moral cristã/burguesa, mostrando sempre a soberania do mais astuto, sobre o mais ingênuo. Sendo o Pasolini ateu e comunista, esses temas se tornam para ele um prato cheio! Sob sua ótica, Pasolini constrói uma narrativa despreocupada e realista que merece ser comparada àquela utilizada por Bocaccio, mais de 600 anos atrás.
Para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o Pasolini, eu recomendo as duas obras que, juntas com Decameron, completam A Trilogia da Vida: The Canterbury Tales (1973) e As Mil e Uma Noites (1974). E para quem assistiu à carnifissina do Mel Gibson, A Paixão de Cristo, eu recomendo assistir a O Evangelho Segundo São Mateus (1964). Comparando os dois filmes, fica fácil perceber que há aspectos muito mais interessantes na história de Cristo do que a anatomia dos seus glóbulos vermelhos.

Cotação:

enviada por Paraíba Hi-Tech






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